Construindo uma prática inovadora

A proposta pedagógica é uma referência de ensino, que expressa como a escola busca o saber, transforma-o e o adéqua-o às condições de ensino. A nossa Proposta Pedagógica procura criar condições para que os alunos desenvolvam várias competências. Competências são os saberes, capacidades, habilidades e informações, que nos permitem viver em sociedade e solucionar com eficiência uma série de situações cotidianas.

Vemos os conteúdos como meios que nos permitem desenvolver várias competências. A escola ensina para criar sentidos significados e competências.

Em nossa proposta pedagógica, as dimensões afetiva, cultural, social, cognitiva, corporal e política do aluno não são separadas. Entendemos que cada aluno aprende quando essas diferentes dimensões são consideradas, nos planejamentos, nas interações e nas atividades e intervenções da sala de aula e da escola. Desta forma, a escola está a serviço da formação global dos alunos, compreendendo e promovendo a interação desses com a realidade de forma crítica e dinâmica.

Para desenvolver essa proposta, procuramos organizar atividades que surjam a partir de problemas, levantados pelos alunos. Criamos situações onde esses possam observar, registrar, pesquisar e debater. Elaboramos atividades que implicam em diferentes níveis de complexidade, que desafiam e incitam os alunos a mobilizar conhecimentos.

A proposta pedagógica prevê a criação de projetos de pesquisa e a sistematização de processos pedagógicos, como: observação, pesquisa, registro e estruturação de conteúdos que partam de uma problematização. Estabelece diferentes ações que permitam a busca de informação. Propõe diferentes tipos de agrupamentos, interações e trabalhos coletivos para que os alunos construam valores éticos, aprendam a participar, a negociar, a debater e a viver em sociedade.

Assim, a nossa proposta pedagógica procura integrar e articular os conteúdos, as metodologias, os espaços, os materiais e os recursos humanos às necessidades, interesses e ritmos dos alunos.

Processo de ensino-aprendizagem

Ao pensarmos sobre o processo de ensino-aprendizagem, a primeira pergunta que fazemos é: como as crianças e os adolescentes aprendem? Podemos opinar segundo a nossa experiência, porém o mais efetivo é observar o processo que eles seguem na hora de aprender. Compreendemos que a construção do conhecimento far-se-á através do encontro com: o adulto, as outras crianças, os livros e a observação do mundo real.

A aprendizagem é um processo de reflexão, participação, criação, trocas, pesquisa, acesso aos conhecimentos construídos pela humanidade e reconstrução destes pelos educandos. Não aprendemos apenas na escola, mas em casa, através das diversas interações sociais (grupos de amigos, trabalho, igrejas), através da experimentação e relação com os objetos (livros, brinquedos etc).

Entretanto, nem toda interação resulta em aprendizagem. Para uma interação resultar em aprendizagem, deve-se levar em consideração o interesse do aprendiz, o que ele sabe e é capaz de fazer. É o estabelecimento de relações entre os novos conhecimentos e os esquemas já constituídos, que produzem aprendizagens.

Estar passivo diante da transmissão de conteúdos não garante o saber. Em nosso dia-a-dia, estamos em contato com uma infinidade de informações, mas nem todas são apreendidas e ficam em nossas mentes.

Quando não estamos imbuídos de interesse ou estamos imersos em várias tensões, pressões e medos não apresentamos o esforço construtivo, capaz de atribuir sentido às experiências e de gerar aprendizagens. As atividades mentais que os alunos utilizam, para aprender os conteúdos escolares, podem ser entendidas em uma dimensão universal, “o que é idêntico em cada aluno que aprende” (PERRAUDEAU, 2009, p.11) e em uma dimensão individual, que “se traduz pela heterogeneidade das condutas de aprendizagem observadas sem sala”. Isso significa que existem semelhanças e diferenças de aprendizagem.

Não aprendemos apenas pela repetição ou memorização, mas, sobretudo, quando buscamos compreender a natureza de fenômenos, quando buscamos respostas para os problemas colocados em nossa realidade, quando desenvolvemos ferramentas intelectuais e estratégias de aprendizagens. Portanto, é necessário conciliar o interesse dos educandos aos nossos, considerando os objetivos para cada grupo de idade, suas situações cognitivas, emocionais e suas situações reais de aprendizagem. A aprendizagem não depende apenas de processos cognitivos, mas dos nossos interesses, expectativas, desejos e dos significados construídos sobre nós e sobre os outros.

Eixos curriculares

Em função da nossa proposta pedagógica, estabelecemos alguns eixos que devem estar presentes em diferentes momentos da vida escolar, já que são norteadores da aprendizagem dos alunos:

Diversidade cultural

As sociedades contemporâneas vêm se tornando mais complexas. Do ponto de vista da educação, isto implica construir estratégias que permitam um processo de socialização que incorpore múltiplas identidades, culturas, valores e interesses. Muitas vezes sobrepostos e em outros competitivos entre si. Portanto, é nossa tarefa introduzir novos temas, novos conceitos e novas formas de articulação com a realidade.

O Diversitas deve ser um espaço de diálogo e de comunicação entre os diversos grupos sociais. Espaço para exercitar:

  • a atitude de tolerância e respeito às diferenças  físicas, étnicas religiosas, culturais e de convicção política;
  • a iniciativa individual e capacidade para desenvolvê-la em grupo;
  • a capacidade de saber argumentar para validar uma convicção;
  • a capacidade de saber ouvir; e expressar valores, sentimentos e ideias.

Inserção no Meio

O espaço da cidade é rico de possibilidades de aprendizagem: ruas, museus, parques, praças, fábricas, universidades, bibliotecas, acervos públicos, etc.. Compreendê-lo como um espaço em constante processo de construção, permite ao aluno reconstruir sua história de vida, reconhecer e nomear diferentes tipos de paisagens, descrever e analisar, de um ponto de vista crítico, o lugar onde vive e perceber-se como sujeito que ao mesmo tempo em que se constrói na relação com a cidade, participa da sua construção.

A escola deverá criar essas possibilidades através de visitas a diversos espaços da cidade como museus, bibliotecas, parques, teatro, etc.

A escola como um espaço de vivências Culturais

A escola é uma instituição social e se insere num contexto mais amplo – sócio-político-econômico e cultural – e do qual não está dissociada. Incorporar no cotidiano escolar as celebrações, oficinas de teatro, jogos, saraus literários, possibilita que os educandos desenvolvam sua consciência crítica e identidades culturais, indispensáveis para a vivência e o exercício da cidadania.

Sistemas expressivos

O desenvolvimento de diferentes sistemas expressivos – linguagem verbal, escrita, plástica, corporal, musical, científica, cênica, cinematográfica e outras – é uma das dimensões formadoras da criança, do adolescente, do jovem e do adulto.

É necessário que o projeto da escola tenha como intenção, clara e explícita, a ampliação para os educandos de possibilidades de compreender e atuar sobre a realidade físico-natural e sociocultural, expressando-se por meio dessas diferentes linguagens.

Formação do aluno pesquisador

Para possibilitar a formação desse aluno, a escola deverá estruturar seu trabalho a partir de alguns princípios:

  1. Tratar a informação de maneira adequada às necessidades contemporâneas. O conhecimento hoje também está materializado nos computadores, vídeos, filmes e fibras óticas. Portanto, os alunos precisarão ter capacidade para localizar, acionar e usar essas informações.
  2. Priorizar processos pedagógicos que contemplem a criticidade, curiosidade, conflito, contradição da realidade, problematização, construção e provisoriedade do conhecimento.
  3. Possibilitar espaços para os alunos observarem, formularem problemas, hipóteses, sintetizarem e analisarem os fenômenos, situações, fatos e ideias.
  4. Garantir a capacidade de ler e escrever diferentes tipos de texto, de acordo com a função e contextos em que serão utilizados.
  5. Garantir a formação das habilidades de falar e ouvir de maneira apropriada a cada situação de interlocução.
  6. Possibilitar a utilização da linguagem matemática; operar, interpretar e lidar com os números em diversas situações.
  7. Desenvolver a capacidade de utilizar os diversos instrumentos tecnológicos disponíveis (calculadoras, filmadoras, vídeos, computadores), de acordo com cada necessidade de trabalho.

A construção da autonomia e a organização dos trabalhos

Para participar de qualquer grupo e para produzir conhecimento é necessário que os alunos aprendam a se organizar e participar.  Por isso, as crianças e adolescentes precisam de oportunidades para aprender a se organizar, a decidir as regras de organização e a planejar as ações. Para isto acontecer, além dos alunos terem a oportunidade para viverem essas experiências, precisarão da ajuda dos pais, responsáveis e professores. Neste caso, estratégias de intervenção adequadas devem ser criadas, para contribuir com o avanço do grupo.

Esse eixo deverá permitir a:

  • Compreensão do trabalho, através da participação e vivência;
  • Compreensão das melhores estratégias de se trabalhar no coletivo, a partir de discussões e definições coletivas;
  • Construção da organização de todos, com autonomia para realização de todas as atividades;
  • Compreensão da necessidade de se prever, com antecedência, os recursos necessários para a realização do trabalho e o tempo que será gasto.